Já faz algum tempo que não posto nada, simplesmente porque andava achando que tudo o que eu precisava falar sobre sexo já tinha sido dito nas postagens anteriores. Mas ontem eu estava vendo Amor e Sexo e fiquei meio revoltada com uma das coisas discutidas. A pergunta era sobre a mulher se tocar - masturbar - durante o sexo. E para minha surpresa, moços da plateia disseram que ficavam incomodados com isso...
Já falei em detalhe sobre este assunto em outro post, esse aqui: http://osexoeasmulheres.blogspot.com/2010/07/fonte-do-prazer-feminino.html . Então agora vou ser curta e grossa: Me diga, qual é o problema de a sua parceira se masturbar enquanto está transando, cara? Que insegurança é essa?
Entendam de uma vez por todas uma coisa: a maior parte das mulheres não goza só com penetração. Ela é deliciosa, não abrimos mão, mas o orgasmo feminino, na maioria esmagadora das vezes, é clitoridiano. Ele só acontece quando o grelo está sendo estimulado, seja pela fricção dos corpos, seja por masturbação. Algumas posições, como a mulher por cima, o homem meio sentado, facilitam o gozo sem ser preciso se tocar. Mas em outras - a maioria - isso não acontece. E aí, para a mulher conseguir gozar, ela vai ter de se masturbar junto, ou você fazer isso por ela. (Mas em geral ela fará melhor, porque já se conhece e sabe que tipo de toque, movimento, intensidade lhe dá mais prazer.)
Agora, se incomodar com isso, vai me desculpar, mas acaba sendo um bocado machista. Como se a mulher não pudesse assumir o controle do próprio prazer, do próprio corpo. Como se o orgasmo dela tivesse de depender unicamente do homem, e lhe fosse negada a própria ação, se dando prazer junto com o prazer que o seu parceiro está lhe proporcionando.
Sexo real, e não de filminho pornô, pode incluir toque, incluir masturbação. As atrizes não se masturbam durante a transa porque elas não gozam. Simples assim. Mas na vida real a coisa é diferente. E com esse tipo de preconceito ainda presente por aí, o que acontece é que muitas mulheres não conseguem chegar ao orgasmo porque têm vergonha de se masturbar durante o sexo, com medo da reação do homem. Que merda, né?
E para eliminar fantasmas: ela estar se masturbando durante o sexo não significa que esteja pensando em outra coisa, em outra pessoa - a menos que você esteja mandando muito mal mesmo. Ela só está querendo gozar. Alguma coisa contra?
Nos últimos dias viu-se nas redes sociais um crescimento gigantesco das menções – e do apoio – aos Anonymous. Eles, que já vinham agindo há tempos, como no caso do rastreamento e divulgação de IPs de pedófilos (http://tecnologia.terra.com.br/noticias/0,,OI5451094-EI12884,00-Anonymous+revela+IP+de+frequentadores+de+sites+de+pedofilia.html), ganharam notoriedade mundial depois de sua reação ao fechamento do site Megaupload. Posicionando-se contra o SOPA, projeto americano que visava impedir o compartilhamento de arquivos na internet, anonymous e simpatizantes do mundo inteiro atacaram dezenas, talvez centenas (difícil saber o número ao certo) de sites direta ou indiretamente relacionados ao projeto e ao seu conceito. Incluindo o site do FBI.
Mas eles não pararam por aí. A mobilização continua, e no Brasil, hoje, os Anon estão se posicionando contra abusos como a desocupação violenta e injustificável ocorrida em Pinheirinho no domingo. Que fique claro: os Anonymous não são apenas “um grupo de hackers”. Há pessoas de vários setores, trabalhando em conjunto.
Para os leitores que podem estar se fazendo essa pergunta agora, já digo: Não, não faço parte dos Anonymous. (Não mais do que qualquer pessoa que compartilhe com eles a revolta com o estado atual das coisas...) Mas vejo neles uma força enorme, que se deve principalmente ao seu poder de mobilização. E vejo um certo "charme matrix", um espírito revolucionário, algumas vezes quase romântico – mas altamente sedutor.
Tenho ouvido muitas críticas à linguagem escolhida pelos Anonymous. Mas não acho que estejam errados nisso. Quando digo que eles têm um forte poder de mobilização, refiro-me a poderem alcançar pessoas que nunca se mobilizaram por nada. Eles se dirigem a todos, e não apenas aos que já militam em causas ou partidos. Esses já estão ganhos. O enorme favor que os Anon podem fazer a todos nós, que partilhamos com eles a indignação com a corrupção, com os desmandos, com as injustiças que vemos no mundo hoje, é ganhar aquelas pessoas que nunca pensaram em se envolver com política... os que não têm saco para discursos partidários, os que estão acomodados, alienados ou achando que “não adianta fazer nada”. E que, sejamos realistas, hoje são a maioria da população.
A minha crítica aos Anonymous é só uma – e que me parece que já está sendo feita internamente –: organização. A impressão que tenho é que eles cresceram rápido demais, e hoje vê-se, em alguns momentos, uma certa desorientação. Entre os membros que acompanho no twitter, vejo às vezes discordâncias, declarações meio perdidas ou que “passam do ponto”. E vejo críticas aos que estão entrando agora não pelos ideais, mas apenas pela fama, pelo glamour da coisa.
É delicado, porque até onde sei a estrutura dos Anonymous não é rígida e hierárquica como a de um partido. E nem me parece que deva ser. Mas fico aqui pensando que seria importante traçar diretrizes básicas. O que dizer, o que não dizer. O que defender, o que não defender. O que atacar, o que não atacar. Quem são os inimigos, quem pode ser aliado. Como se proteger. Como agir.
Sei que já há vídeos e textos nesse sentido. Então, sugiro que qualquer um que se interesse pelos Anonymous agora, que queira participar ou ajudar, busque primeiro se informar, ler e assistir tudo o que já foi postado por essa “legião”. Como este vídeo:
E paro por aqui. Desejando boa sorte a todos nós, anonymous ou não, nessa luta por um mundo mais justo.
Ontem uma leitora querida comentou no post anterior sobre o caso do possível abuso ou estupro no BBB, e acabei dando uma resposta tão longa que resolvi que o melhor era fazer logo um post. Então aqui está... a minha opinião sobre algo que eu realmente não queria ter de discutir.
Trepar com pessoa uma inconsciente é estupro sim, claro. Impossível existir alguma dúvida a esse respeito na cabeça de alguém minimamente inteligente.
A minha questão com essa história é a seguinte: ninguém estava lá pra saber se a moça estava dormindo ou não. Só ela mesma poderia dizer... "Ah, mas no vídeo fica claro que ela estava desacordada". Não sei. No vídeo que acabei vendo, muito a contragosto, e que me disseram que não era o original, nada ficou claro para mim não. Ela podia estar capotada, sim, e é o mais provável... mas também poderia estar brincando de "estou dormindo", coisa que já fiz e sei que muitas amigas já fizeram também, simplesmente porque é bom... um jogo de cama, mas consensual. Você finge que está dormindo, o cara finge que acredita. E, para terminar, em se tratando de algo ocorrido especificamente no BBB, onde há 1 milhão em jogo, ela podia estar fingindo para não "pegar mal" para ela na TV. Como saber onde está a verdade, à distância, quando muitas vezes já é tão complicado saber a verdade sobre algo que acontece do nosso lado? Assim como me revolto com as opiniões estilo "é uma vadia, bebeu, tá justificado", sou contra a culpabilização compulsória do homem, sem investigação profissional anterior.
Mas aí a moça é chamada pelo diretor do programa e diz que foi consensual, e fica ainda mais difícil saber o que pensar... Porém, todo mundo já começou imediatamente a julgar e condenar, a destilar os mais variados preconceitos (li nas redes coisas como "a vagabunda bebeu, mereceu, cu de bêbado não tem dono", ou "só podia ser preto", e também "homem nenhum presta") e afirmar mil certezas, quando o que se tinha que fazer é o que finalmente foi feito: a polícia ouvir os dois, fazer exame de corpo de delito, examinar as filmagens completas. Investigar. E aí sim culpar, ou não, o cara.
O que me incomoda demais, e que eu acho muito perigoso, é esse julgamento público, à distância, baseado em informações fragmentadas. E me incomoda porque ainda me lembro bem de um caso público famoso: a Escola Base, em São Paulo. Uma criança disse algo que deu a entender que ela havia sido abusada pelo casal que dirigia a escola. Psicólogos "altamente qualificados" entrevistaram outras crianças, sugerindo a elas coisas do gênero. Pressionadas ou confusas, elas confirmaram. O casal de diretores foi execrado, condenado pela opinião pública. Mais tarde se provou que tudo não passara de fantasias das crianças. Mas a vida desse casal foi destruída, para sempre.
Agora, o que me irrita nesse caso, acima de tudo, é que com isso não se fale de outra coisa além de BBB, que eu acho o maior lixo da TV, e símbolo de uma mediocrização progressiva do nosso país. Alguma dúvida de que quem mais lucrou com isso foi a Globo? E vai lucrar até o fim dessa edição, porque muitos começaram a assistir o programa ontem, por causa da polêmica, e seguirão vendo até o final.
Agora pensem só uma coisa além... se esse cara realmente abusou de uma mulher desacordada, ele é um grande filho da puta. E um filho da puta que foi escolhido para entrar na casa. Ou seja... quem criou a merda foi essa super equipe que escolhe pessoas pensando em tudo, menos em caráter. (Isso sem falar que eles estavam assistindo a coisa, e não interferiram.) E por outro lado, se ele não abusou, se a moça estava acordada e a coisa foi consensual, ou se ela por acaso for sacana o bastante a ponto de mentir por achar que assim pode ter mais chances de ganhar o programa... o cara estará marcado para o resto da vida como estuprador sem ser. Ou seja: é tudo uma grande merda nessa história. O lixo BBB, que milhões de pessoas insistem em assistir.
E para mim chega desse assunto. Tudo o que deve ser feito já está sendo feito. Polícia. Investigação. Se ficar provado que houve o crime, que seja exemplarmente punido. Se não, que seja esquecido. Mas que ao menos sirva como um alerta aos imbecis que acham que é normal abusar de uma mulher desacordada.
E para terminar, deixo para vocês uma sugestão de filme. A noite dos desesperados, de Sydney Pollack, ganhador de dois oscars e um globo de ouro. Fala sobre um concurso na linha do BBB. E sobre a indignidade, o desespero e as merdas várias que acontecem durante ele.
Beijos, Deb.
PS - Não prometo responder comentários dessa vez, tá? Estou realmente esgotada desse assunto. Quem acompanha o meu blog há mais tempo entenderá porque. .
Imaginem a seguinte cena: o casalzinho está em um bar, em um restaurante, em uma festa, na casa de amigos ou andando na rua, e de repente aparece um(a) ex-namorado(a) de um dos dois. Incômodo, né? Concordo. Mas mais incômodo ainda é o que pode vir depois, como consequência desse encontro inesperado.
Nunca consegui entender o que leva uma pessoa a querer vasculhar, seja com perguntas, seja com mil investigações e espionagens, o passado do seu parceiro. Mas vejo isso acontecer – e gerar merdas colossais – o tempo todo. Às vezes nem é necessário um encontro com o(a) tal ex. Basta um comentário qualquer nas redes sociais, ou uma conversa em que a pessoa seja citada, ou absolutamente nada além de uma paranóia ciumenta para gerar nas pessoas o impulso de querer saber tudo sobre aquele relacionamento anterior.
E aí pergunto: Para quê? O que leva alguém a querer saber coisas que só lhe farão mal? Que só gerarão ciúme e muito provavelmente levarão a desentendimentos?
Sempre digo que lugar de passado é no passado. E ponto. Querer trazê-lo para o presente é garantia de sofrimento.
Mas como lidar com essa situação? O que fazer se a sua namorada insiste em querer saber como era a sua ex no sexo ou no relacionamento, ou em querer que você faça qualquer tipo de comparação entre as duas? (“Ela era mais gostosa (bonita, carinhosa, inteligente, aventureira, companheira etc etc) que eu?”) O que fazer se o seu namorado vem sondar o que você fez ou deixou de fazer na cama com o seu ex?
Se você não contar, ele(a) vai achar que você tem algo a esconder. E lá vem discussão. Se contar... bem, muito provavelmente a pessoa não vai gostar do que ouviu. E lá vem mais discussão.
E aí chegamos à terceira opção, que infelizmente é o que mais acontece: mentir. Péssimo, né? Pois é, também acho. Ninguém gosta de saber que ouviu mentiras de seu namorado(a). Mas nesse caso, desculpe dizer, foi você quem gerou a mentira, com a sua insistência em querer saber do passado. A reação de grande parte das pessoas é falar o que acha que levará a um caminho mais tranquilo, o que não magoará a pessoa de quem elas estão gostando, o que não gerará ciúme, o que não acabará em brigas. Compreensível.
Sendo assim, em vez de infernizar com mil perguntas a pessoa com quem você está se relacionando, que tal entender o que te leva a querer tanto saber do passado dela? Uma vontade de ser o primeiro, o melhor, o incomparável, talvez? Ciúme doentio? Insegurança? A necessidade de estabelecer quem são os inimigos(as) a serem combatidos? Ou é masoquismo puro mesmo?
Seja como for... acreditem: não vale a pena. Essa é uma curiosidade mórbida, que não pode levar a nada de positivo para o seu relacionamento. Muito pelo contrário, aliás. Nessa questão, não tenho dúvida nenhuma de que o melhor a fazer é aprender a controlar o ciúme, a curiosidade, a insegurança, a ansiedade. E entender de uma vez por todas que passado é passado, e não te diz respeito.
Para terminar, queria contar a vocês uma história que aconteceu comigo dois anos atrás. Eu estava começando um namoro, toda aquela paixãozinha inicial... e obviamente uma pitada de insegurança e ciúme, porque sou humana. Uma noite, estávamos sozinhos na minha casa, mil amores, clima perfeito. De repente, chega uma mensagem no celular dele. Da ex, que não se conformava em ter sido deixada de lado e vivia no pé. Quando ele leu a mensagem, alguma coisa em sua reação me deixou com a pulga atrás da orelha e perguntei se era dela. Ele me mostrou o que ela havia escrito. Obviamente eu me irritei, comecei a querer achar que se ela insistia tanto é porque a coisa não estava resolvida, porque ele ainda lhe dava esperança... e todas aquelas paranóias de sempre. E ele me respondeu, simplesmente: “É aqui com você que eu estou, não é?”
Então... é Natal, todos já estão comprando seus presentes, planejando a ceia, ou se preparando para uma viagem, ou tentando um equilíbrio precário entre as festas da sua família, da família do parceiro e aquela balada onde realmente queria estar... E outros, como eu, só querem que essa coisa toda passe logo.
Mas aí somos bombardeados com mensagens, em filmes e propagandas, sobre o tal "espírito natalino". Amor, solidariedade, ajudar o próximo. E então as pessoas doam brinquedos antigos, roupas, alimentos. Nada contra, em absoluto. Acho muito bacana quem faz esse tipo de coisa. Só acredito que também deveríamos pensar no próximo durante o resto do ano.
E pensar nisso não significa apenas fazer doações. Pensar no próximo, de forma constante, é basicamente uma questão de respeito e de gentileza. E inclui coisas simples e das quais muitas vezes descuidamos. Coisas bem práticas, concretas. Ações de cidadania e de consciência. Vou citar algumas delas aqui e conto com vocês para pensar no assunto e completar a lista.
Ações do dia a dia
- Se for pegar um ônibus e perceber que há idosos no ponto, peça para passarem na sua frente. Se eles ficarem por último e o ônibus largar antes que tenham se sentado, eles correm bem mais risco de cair e se machucar seriamente que você.
- O mesmo vale para qualquer lugar onde exista demora para atendimento. Se não houver fila preferencial, tenha a gentileza de falar aos idosos para passarem na sua frente. Você não sabe qual o estado de saúde deles; talvez lhes seja custoso ficar muito tempo de pé.
- Lembre-se que os seus direitos terminam onde começam os do próximo. E isso serve para várias coisas. Por exemplo: você tem todo direito de ouvir a música que quiser. Desde que não force outras pessoas a ouvir junto. Cada um com seu gosto. Não seja o DJ do busão, nem o babaca do carro com som a mil ou o vizinho infernal que perturba a todos.
- Se vai ao supermercado, tenha a consciência de que você não é a única pessoa ali. E que corredores são locais de passagem. E que os outros podem estar com pressa. Então, pelamordedeus, não pare o seu carrinho no meio do corredor...
- Se a sua balada é em uma rua onde moram pessoas... lembre-se que elas têm todo direito do mundo a dormir. Não saia do bar aos gritos, buzinando ou acelerando o carro, por mais mamado que você esteja. Ah, e mijar na porta da casa dos outros também não é nem um pouco legal.
- Não suje desembestadamente só porque não é você que vai limpar. Alguém vai, e merece o seu respeito.
- Não destrate pessoas que só estão fazendo seu trabalho. Dar um esporro no garçom porque o seu prato ainda não chegou, por exemplo, só faz de você um imbecil. A culpa não é dele, ele não prepara a sua comida. Talvez a cozinha tenha recebido mil pedidos ao mesmo tempo. Se está com pressa, vá a um self-service.
- Não fure filas. Não interessa qual o seu motivo para isso, quanto você esteja correndo. Isso é podre.
- Se você tem um comércio e está pensando em anunciá-lo com carro de som... pense duas vezes. Para que incomodar a paz dos outros assim? Já bastam todos os barulhos normais de uma cidade. E outra... muitas pessoas - sou uma delas - deixam de comprar dos que praticam esse tipo de poluição sonora.
- Se você só anda de carro, lembre-se que os pedestres também existem. E não faça coisas como parar na faixa em um cruzamento, passar correndo em poças d'água, encharcando passantes, avançar sinal. Ah, e parar em fila dupla também é de uma falta de educação ímpar. Prejudica a todos que estão no trânsito. E acontece com frequência, em especial perto de escolas... Não sei de onde algumas mães tiram que têm o direito de prejudicar o trânsito assim, só porque estão esperando seus pimpolhos.
- Ainda em relação a trânsito... enfiar a mão na buzina em um engarrafamento é passar atestado de imbecilidade. A sua buzina não vai alterar nada no tempo que você levará para sair dali. Só vai infernizar o ouvido alheio e deixar todo mundo irritado.
Consciência ambiental
- Se tem algum amor ao planeta em que vivemos, e às pessoas que o habitam... tenha consciência ecológica. E isso implica várias coisas. Como não jogar lixo na rua, nas praias, nas cachoeiras. Por menor que seja. Mesmo bitucas de cigarro e papéis de bala contribuem para entupir bueiros e atrapalhar o escoamento de água durante o período de chuvas, ajudando a causar alagamentos.
- Recuse o saco plástico que as padarias insistem em colocar sobre o saco de papel dos pães. Você não precisa dele. É apenas mais um plástico que demorará centenas de anos para se decompor.
- E ainda nesse capítulo... Separe seu lixo reciclável. Estou um tanto cansada de ouvir pessoas dizerem que isso não é importante, ou que sabem que é importante, mas se esquecem ou não têm tempo... Ah, tenha paciência. Isso é fundamental.
- Se tiver que cortar uma árvore, plante outra. Nós precisamos delas.
- E, se você tem consciência ecológica, desculpe dizer, mas não tenha mais do que um ou no máximo dois filhos. O planeta está superpovoado, os recursos naturais começam a se esgotar. Precisamos diminuir a população, e muito. Faça a sua parte. E se quiser um time de futebol... há muitas crianças em orfanatos.
E por enquanto é isso. Fico aguardando as colaborações de vocês para aumentar essa lista. Que ações cotidianas vocês acham que devemos adotar em nome do respeito e da ajuda ao próximo?
Hoje finalmente vi de que se tratava o tal filme Crepúsculo.
Que desonra para o gênero. Filmes de vampiro sempre foram por excelência filmes com um lado erótico forte. A coisa toda é super simbólica... E vampiros sempre foram seres com uma senhora pegada.
Aí vem essa pessoa com a cara cheia de pó-de-arroz, batom carmim avon número 17, corpo purpurinado (de onde tiraram isso, meu deus?! chamaram algum carnavalesco pra dar palpite?) fazendo mais drama que mocinha virgem... Assim não é possível. Isso é uma heresia.
Minha resposta é essa aqui:
Drácula de Bram Stoker, de Francis Ford Coppola, com o impecável Gary Oldman no papel principal. E fidelidade total ao livro.
Meu filme de vampiro preferido.
E cá entre nós... até como fumacinha verde ele consegue ser mais erótico que aquele vampinho emo.
Desde que me entendo por gente, meu desejo sempre foi orientado para homens. Sou, como diria o João Ubaldo Ribeiro, uma “falocêntrica”. Amor infindável ao pau. :)
Mas algumas vezes na vida me peguei olhando para mulheres com um certo interesse. Algo um tanto vago, indefinido... Mas um olhar diferente daquele que a gente tem por uma pessoa que passa na rua e você fala “Bonito(a)...” e pronto, ou pela amiga que você encontra e diz “Nossa, como você tá linda hoje!”. Um olhar mais atento, mais observador, mais curioso.
A primeira vez que pensei na possibilidade de ficar com uma mulher foi por conta de um namorado que, como 90% (ou seria 99%?) dos homens tinha essa fantasia de transar com duas mulheres. E quando se trata de fantasias de parceiros, eu sou da teoria que a gente sempre tem que pensar com carinho na possibilidade, ver se aquilo, mesmo que nunca tenha passado pela nossa cabeça antes, não poderia ser excitante para nós também.
Naquela época acabou que pensei, pensei, e não aconteceu nada. Sou contra forçar situações. Nunca ficaria com uma mulher “só pra ver qualé”. Primeiro, porque isso não seria justo com ela – a menos que a intenção dela também fosse apenas a de uma aventura ou um descobrimento. Segundo, porque sei que coisas forçadas dificilmente têm graça. Então, como não surgiu nenhuma ocasião em que a ideia do ménage pudesse rolar sem que fosse preciso forçar barras... não rolou.
Mas este final de semana eu estava em um bar e essa moça veio falar comigo. Bonita, simpática, interessante. Tinha alguma coisa especial nela – e eu tinha muito álcool na corrente sanguínea. E de repente me peguei olhando para ela, vendo-a dançar e pensando em como os movimentos femininos são mais bonitos que os masculinos. E a ideia me voltou à cabeça. Será que ela me atraía?
Aos punheteiros de plantão, sinto decepcioná-los. Não foi dessa vez. Logo a moça estava agarrando um fulano e eu segui minha noite de música, dança e amigos, feliz da vida.
Mas no dia seguinte fiquei pensando aqui... é interessante perceber que em toda minha vida apenas 3 mulheres, e com um espaço de anos entre uma e outra, me chamaram a atenção dessa forma diferente... no sentido de me despertar alguma curiosidade em saber como seria estar com elas. E as três tinham exatamente o mesmo tipo físico. Mais altas que eu, que já não sou baixinha, cabelo liso escuro, bonitas, mas sem serem perfeitas. E todas mais ou menos da minha idade. O engraçado é que tirando a questão da altura todas acabavam sendo bastante parecidas comigo de alguma forma. O que me faz pensar... é um pouco narcisista se sentir atraído pelo que nos lembra nós mesmos, né?
Por outro lado, acho que isso mostra que existe para mim - e talvez para grande parte de nós - uma atração que independe de sexo. É aquela pessoa que te chama a atenção, porque existe uma afinidade... uma "parecença". O que essas três mulheres tinham em comum é que , muito além de bonitas, elas eram interessantes para mim, de uma forma que poderia ir além da amizade.
Se penso que nos últimos 10 anos me senti atraída por dezenas de homens, e três mulheres... fica bem claro pra mim qual o foco primordial do meu desejo.rss Mas... essas três mulheres existiram. Então acho que existe uma curiosidade, que encaro com um "Por que não?"
Tendo a acreditar que, por natureza, o ser humano é bissexual. Por que não seria? Fisicamente, é possível ter tanto prazer com o mesmo sexo quanto com o oposto. Ambos têm corpos... mãos, bocas, pele, calor... tesão. Ver a pessoa com quem estamos transando gozar é um tesão. Fazer qualquer pessoa com quem estejamos sintonizados gozar é tesão maior ainda. Por que seria diferente só por se tratar do mesmo sexo?
Acabo achando que optar por um só caminho, um só sexo, seria, pensando racionalmente, uma forma de limitação. E fico achando que talvez o não ser bissexual se deva simplesmente a educação, religião, moralismo.... a medos e repressões várias.
Mas... também acho que cada um sabe dos seus desejos. Existem coisas que nos excitam e coisas que definitivamente não nos excitam. E se o “não excitar” não for movido por repressões, educação etc, acho que é ponto final na questão. Se a gente não tem desejo nenhum por uma coisa, não vai e nem deve rolar. (Tipo eu com sexo em cachoeiras ou locais públicos de forma geral...)
Uma vez conversei sobre esse assunto com um amigo, gay e psicólogo. Quando falei a minha opinião ele esperneou que não e não. Disse que o nosso desejo se dirigia a um único sexo, desde a infância. (E também me falou uma vez que eu era uma hétero irrecuperável, por conta de um frisson total meu em uma conversa sobre homens interessantes... rss) Sei lá. Não sei se acredito nele ou se discordo... ou se acho que ele estava se baseando em teorias que talvez já não sejam mais tão válidas. Ou se concordo com ele, pensando que sim, meu desejo se dirige basicamente ao sexo oposto... Mas e...? Sei lá. Realmente não tenho como ter opinião formada sobre esse assunto, sem nunca ter experimentado o outro lado. :)
Seja como for... penso nisso vez em quando. E se por um lado não saio à caça, porque acho que não é o caso de forçar nada, por outro deixo a porta aberta. Se algum dia eu conhecer uma mulher que me instigue, e a coisa for mútua... que seja. Tenta-se. Pode ser bom, pode não ser. Pode ter continuidade, pode não ter. Tudo pode. Só o que não pode é sair pela vida sufocando desejos ou curiosidades. Só o que não pode é deixar de viver... por medo.
Beijos, Deb.
UPDATE: O @fabjanski publicou um tempo atrás um artigo fenomenal sobre a questão do desejo e da sexualidade. Recomendo demais. http://ddd.opsblog.org/2011/07/05/o-desejo-como-fatalidade-nascer-gay-lesbica-bissexual-ou-o-desejo-como-devir-tornar-se-gay-lesbica-bissexual/
Feliz dia do músico a todos esses meus queridos sofredores, que trabalham quando os outros estão se divertindo... que não são levados muito a sério ("Músico? Ah, tá... Mas e trabalha em quê?")... que ralam horrores ensaiando e no final da noite ainda têm de escutar pedidos nada a ver de bebuns pentelhos.
Como eu disse no post anterior, sexo deixou de ser o único assunto deste blog. E assim sendo, hoje escrevo para vocês sobre um assunto muito sério, e que precisa da sua participação.
Ontem circulou na net um vídeo com atores globais falando sobre a Usina de Belo Monte e os problemas em que sua construção acarretaria. Independente de concordar ou não com a linha adotada no vídeo, agradeço a esses atores, porque a sua iniciativa jogou para o grande público uma discussão que os ambientalistas vinham tentando colocar há meses. A usina de Belo Monte, se construída, representará um desastre ambiental, prejuízo para milhares de pessoas e destruição de terras indígenas.
Não posso me calar diante disso. E você também não deveria. A questão é muito séria, e afeta todos nós. Mesmo que você não more na área, tenha a consciência de que a preservação da Amazônia é fundamental para todos, e que governante nenhum tem o direito de dispor assim de terras indígenas.
Para ter uma ideia melhor do absurdo da coisa, entre as questões ambientais, indígenas e maracutaias do processo, leia este link:
Para ver o vídeo dos atores globais, assim como outros sobre o tema: http://www.movimentogotadagua.com.br/
E para assinar a petição que pode impedir esse absurdo:
http://www.movimentogotadagua.com.br/assinatura
O site do Movimento Gota D'Água está congestionado (ainda bem!), então às vezes é preciso atualizar a página algumas vezes para conseguir assinar. Insista. Isso é muito importante! Assine, repasse para os amigos pelo facebook, twitter, e-mail. Entre na campanha. Precisamos do maior número possível de assinaturas. Neste momento, temos quase 300 mil.
Beijos, Deb.
UPDATE: Mais links, passados pela Marina:
Sobre o impacto ambiental que a usina causaria http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/qual-sera-impacto-ecologico-usina-belo-monte-630640.shtml
Sobre o posicionamento dos povos indígenas http://sitecurupira.blogspot.com/2010/04/nos-indigenas-do-xingu-nao-queremos.html
Então... como a maioria de vocês já sabe, eu tinha excluído o blog na sexta-feira passada. Aconteceram coisas estranhas e achei que meu pseudônimo estava em risco. E portanto, que o melhor a fazer seria excluir o blog.
Mas por um lado as coisas meio que se esclareceram... e por outro, fiquei muito triste de encerrar o blog assim. Quando o criei, no começo do ano passado, foi com a intenção de oferecer às pessoas informação, debate, esclarecimentos sobre sexualidade... Queria ajudar a arejar ideias, a oferecer uma forma de educação sexual diferente da péssima escola dos filmes pornô. E pelas mensagens que recebi nos últimos dias, acho que ele vinha cumprindo bem esse papel, para muita gente.
Assim sendo, resolvi reativá-lo. Excluí alguns textos (os que considerei que poderiam ser mais complexos para minha vida pessoal se por acaso meu pseudônimo "caísse") e mantive os demais - os mais importantes para a proposta do blog.
Ah, e como vocês podem ver, o visual do blog mudou. Eu já vinha trabalhando nele junto com a @sexoyrocknroll, agora fechamos a coisa. (Obrigada, querida! O banner ficou lindo!)
E como está dito ali em cima, a partir de agora sexo não será mais o tema básico do blog. Continuarei falando sobre isso, sim, mas cada vez mais abordarei também outros assuntos.
Pretendo também abrir mais o espaço do blog para outros autores, amigos que se identifiquem com sua linha e queiram participar. :)
Ah... e um pedido de desculpas antecipado: desde o começo do blog assumi o compromisso de responder a todos os comentários feitos. Mas vejo que a maioria das pessoas não volta para ler as respostas, então acho que estou gastando tempo a toa... E meu tempo anda bem curto ultimamente. Então, a partir de agora só vou responder quando minha resposta ao comentário puder acrescentar discussões ao texto, tá? Ou então responder meio "coletivamente". Mas desde já agradeço muito a todos que comentam. Adoro essa participação, e acho que muitas vezes as opiniões e observações que surgem nos comentários são melhores do que o texto em si... :)
Em 1978 estreou no Rio de Janeiro a peça Ópera do Malandro, com composições inéditas de Chico Buarque. Uma das músicas mais marcantes do espetáculo se chamava Hino de Duran - ou Hino da Repressão. Sua parte final diz:
"... E se definitivamente a sociedade só te tem desprezo e horror E mesmo nas galeras és nocivo, és um estorvo, és um tumor A lei fecha o livro, te pregam na cruz depois chamam os urubus
E se pensas que burlas as normas penais Insuflas, agitas e gritas demais A lei logo vai te abraçar infrator com seus braços de estivador
Se pensas que pensas, estás redondamente enganado..."
E paro nessa frase que, 33 anos depois, infelizmente ainda é tão verdadeira. As declarações de boa parte dos internautas em relação às manifestações no campus da USP nos últimos dias só confirmaram isso.
Pensar , de verdade, com a própria cabeça, é uma coisa. Reproduzir pensamentos alheios, lugares-comuns ou doutrinas é outra. (E tentar reprimir o pensamento alheio com agressões verbais - ou até mesmo físicas - outra.)
Mas o que vimos nesse caso da USP? Um mar de agressões, disparates, desinformação, julgamentos morais, opiniões sem nenhum fundamento, radicalismos de todos os lados, manifestações de ódio, pessoas usando experiências pessoais como se fossem verdades universais... E apenas uma minoria absoluta tentando realmente refletir, de forma construtiva, sobre o assunto e todas as questões relacionadas a ele.
Já deixo claro aqui que na minha opinião, todos acabaram errados nesses conflitos. A reitoria, que deixou a PM entrar no campus em vez de ampliar e capacitar a guarda universitária. A PM, que foi chamada para cuidar da segurança dos alunos, e em vez de se preocupar com assaltos, estupros, assassinatos, perdeu seu tempo prendendo 3 estudantes que enrolavam um baseado que nem pretendiam fumar ali. (Errados? Sim. Mas pela lei hoje, nem chegariam a ser presos por isso. Então, foi pura perda de tempo. Enquanto os PMs estavam ali, detendo-os, algum estudante podia estar sendo morto em outra parte do campus.) E também parte dosmanifestantes , que começaram defendendo sua bandeira contrária à PM no campus (concordo plenamente) mas terminaram desrespeitando a votação da assembleia estudantil e invadindo a reitoria. E exibindo comportamentos um tanto contestáveis. E com isso colocando a opinião geral contra seu movimento, inicialmente legítimo.
Mas essa é só a minha opinião. Não espero que todos concordem com ela, não pretendo obrigar ninguém a pensar igual a mim. Porém, gostaria, sim, que todos se dessem ao trabalho de realmente pensar sobre o assunto, antes de se posicionar. E pensar exige abrir os olhos para questões que muitas vezes as pessoas não querem ter de enxergar.
Por exemplo:
Que tal perceber que as coisas não se dividem entre dicotomias simplistas de bem x mal, mocinhos x bandidos... maconheiros x "bons estudantes"?
Que tal entender de uma vez por todas que a maconha não é a questão central desse conflito? Que o protesto dos estudantes não é para "poder fumar seu baseadinho em paz", e sim contra a presença da PM no campus? E que existem motivos bem concretos para isso? (Na carta feita por estudantes da ECA cujo link inseri no final do texto isso é bem esclarecido.)
Que tal refletir sobre o fato de a PM ter mandado 400 soldados, incluindo aí tropa de choque, esquadrão anti-bombas e helicópteros, para lidar com 600 estudantes, enquanto o crime come solto em São Paulo? (E que tal comparar esses números com os 50 policiais envolvidos na última operação policial na Cracolândia? http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/operacao-na-cracolandia-termina-com-dez-detidos-20110408.html)
Que tal lembrar que a polícia de São Paulo, que muitos estão defendendo agora, matou mais gente que todas as polícias dos EUA nos últimos anos? (http://www.circulopalmarino.org.br/2011/11/em-cinco-anos-pm-de-sao-paulo-mata-mais-que-todas-as-policias-dos-eua-juntas/)
Que tal saber que havia uma alternativa para a segurança dos estudantes - ampliar e capacitar a própria guarda da universidade -, e que ela não foi adotada porque a reitoria preferiu não ter esse trabalho, ou simplesmente gostou da ideia de ter a PM por perto, podendo assim reprimir manifestações políticas dos estudantes, ou, ou?
Que tal registrar o fato de que o atual reitor da USP não foi o mais votado no processo eleitoral interno? Saber que ele ficou em segundo lugar, bem atrás do primeiro, Glaucius Oliva, mas o então governador Serra ignorou a votação e nomeou o reitor que politicamente mais lhe convinha? (http://noticias.r7.com/vestibular-e-concursos/noticias/usp-eleicao-para-reitor-termina-com-glaucius-oliva-como-candidato-mais-votado-20091111.html)
Que tal aceitar que as pessoas têm direito às próprias escolhas, e que - desde que essas escolhas não impliquem danos a terceiros, como no caso de alguém "escolher" matar seu vizinho - não cabe a ninguém julgar/condenar?
Que tal assimilar que mesmo entre os estudantes que defendem a retirada da PM do campus há divergências e posicionamentos distintos? E que não, nem todos eles são maconheiros.
Que tal antes de falar/escrever um "Maconheiro tem mais é que tomar porrada da PM" lembrar que talvez alguma pessoa querida, do seu círculo familiar ou de amizades, seja usuário e você nem saiba?
Que tal tentar enxergar o todo, e não apenas um único aspecto de uma situação complexa como essa?
Que tal entender que o diferente de nós não é necessariamente um inimigo a ser atacado?
Que tal abrir os olhos para o fato de que, independente da sua opinião pessoal sobre maconha, o problema maior para a sociedade não está no usuário, mas sim no tráfico? E que se maconha fosse descriminalizada ele enfraqueceria, e com isso a criminalidade cairia? E que isso só não acontece porque os interesses financeiros em jogo são altos, e tem muita gente graúda, "de fora do morro" envolvida nesses ganhos ilícitos?
Que tal considerar também as fontes que relatam que quando os estudantes já tinham sido retirados da reitoria e estavam sentados do lado de fora, ouviu-se barulho de coisas sendo quebradas dentro do prédio?
Que tal aprender a duvidar do que se vê na mídia, entendendo que há interesses políticos por trás de suas linhas editoriais?
Que tal buscar se aprofundar em um assunto, procurar visões diferentes sobre ele, descobrir fontes confiáveis de informação, analisar todos os dados encontrados e então formar a sua própria opinião sobre o tema, em vez de só repetir, comodamente, o que a maioria (ou os seus pais, ou seus amigos, ou um único artigo que você leu) diz?
Que tal entender que o preconceito, seja ele qual for, é uma característica humana extremamente negativa, e portanto deve ser combatido, e não fomentado? E que o ódio que uma pessoa sente/expressa contra usuários de maconha, ou contra gays, ou negros, ou mulheres, ou nordestinos, ou quem quer que seja, só faz com que ela se torne alguém merecedor de desprezo?
Pensar dá trabalho, sim. Exige muito mais de uma pessoa do que simplesmente escrever qualquer coisa, num rompante, em um site ou rede social. Mas também é libertador. Porque nos torna senhores da nossa própria cabeça, e não meros seguidores de pensamentos alheios.
Beijos, Deb.
(Ah... e não custa lembrar: COMENTÁRIOS OFENSIVOS NÃO SERÃO PUBLICADOS. (Nem os anônimos.) O espaço é aberto a divergências, sim, mas apenas às expressas com educação. Haters e trolls, nem me dou ao trabalho de ler.)
UPDATE:
LINKS para textos que saíram depois deste, e que podem ajudar quem está disposto a saber todos os lados e opiniões sobre o assunto, a ler algo diferente do que a mídia em geral vem mostrando - para então poder pensar, e tirar as suas próprias conclusões.
Boa matéria da Carta Capital http://www.cartacapital.com.br/blog/sociedade/ocupacao-patetica-reacao-tenebrosa/
Carta de alguns alunos da ECA, falando sobre todos os lados dessa questão e deixando algumas coisas bem mais claras. http://mariafro.com.br/wordpress/2011/11/09/jannerson-xavier-esclarecendo-o-caso-usp-pra-quem-ve-de-fora/
Um tempo atrás eu estava conversando com uma médica que viajava o estado dando palestras sobre Aids, e ela me falou: "A coisa é assim: sexo eventual. Casal se conheceu, rolou aquela vontade, resolvem ir para o motel... 'Só transo com camisinha, tá?' 'Camisinha, claro!' No caminho vão conversando... 'Você é daqui mesmo?' 'Não, vim para cá há um tempo, mas nasci em Monte Carmelo...' 'Monte Carmelo?! Não acredito! Minha família toda é de lá!' Pronto, a camisinha já era".
Pode parecer engraçado, mas na verdade é trágico. As coisas muitas vezes ainda acontecem assim. As pessoas gostam da ideia de achar que alguém é "confiável" porque é de "boa família", ou amigo dos seus amigos, ou porque a moça só teve três namorados na vida, ou o moço jurou que não costuma transar sem camisinha. Besteiras. Um: como diz o sábio doutor House: "Everybody lies". Dois: boa família ou amigos não quer dizer absolutamente nada quando o assunto é Aids. Três: a pessoa pode ter transado com um único parceiro na vida... e ter dado um grande azar.
A Aids está aí. É uma realidade incômoda, e por isso muita gente prefere não pensar muito no assunto, ou se julgar imune. Mas ninguém está imune. O que começou com o absurdo rótulo de "praga gay", hoje atinge quase igualmente homens e mulheres - mais jovens e mais velhos. E só para constar, meninas... em uma relação heterossexual, o risco de contágio para a mulher é muito mais alto que para o homem.
Dois anos atrás eu passei pela tristeza esmagadora de ver em um abrigo para idosos uma senhorinha morrendo de Aids. Pele e osso, transtornada de dor, sem conseguir nem falar, apertando a minha mão, desesperada, olhos implorando por um fim breve. (E eu brigando com a enfermeira para lhe dar morfina.) Morreu dois dias depois da minha visita. Provavelmente foi contaminada por um marido que achava bacana sair por aí se divertindo sem camisinha.
Alguns podem dizer: "Ah, mas hoje isso está muito mais tranquilo... é só tomar o coquetel e vida normal". Sim e não. Realmente, graças a deus, o tratamento da Aids evoluiu muito, o coquetel hoje é eficiente, ser portador do vírus não significa mais uma sentença de morte. Mas a Aids continua sendo uma doença muito séria, que deve ser evitada a todo custo.
E evitar é muito simples, né? Camisinha. Isso todo mundo sabe. Mas o que parece que as pessoas insistem em não querer saber, ou fingir que não sabem, é que dentro do sexo há outras formas de transmissão, sem penetração.
E aqui chegamos ao assunto central deste post.
A moda atual (mais um desserviço prestado pelos filmes pornô) dita que o bacana é deixar o homem gozar na boca. E para ser gostosa(o), tem que engolir. Só acho que esqueceram de dizer que deixar o parceiro ejacular (ou mesmo soltar o líquido pré-ejaculação) na sua boca, engolindo ou não, inclui risco de transmissão do vírus da Aids. Sim, ele é bem menor que o risco da penetração sem camisinha (quanto mais no sexo anal), mas existe. A mucosa da boca, como qualquer mucosa, tem grande capacidade de absorção. O que significa risco. E para piorar, uma escovação mais forte, o fio-dental ou mesmo alguns alimentos podem causar feridinhas, às vezes imperceptíveis para nós. Mas portas abertas para a entrada do vírus.
Então, para simplificar as coisas, é assim: só deixe gozar na sua boca o parceiro com quem você já pode transar sem camisinha. E ponto. Porque, convenhamos... o que você acha mais importante, dar uma de gostosa(o) ou se cuidar?
E aí cabe lembrar de outra questão bem importante. A maioria das pessoas insiste em achar que para que um parceiro se torne "confiável" nesse sentido basta que o relacionamento vá adiante. Estão juntos há dois meses, o amor é lindo? Oba, não precisa mais de camisinha. Grande engano. O que está acontecendo agora, por mais bacana que seja, não anula a vida anterior. Só se deve deixar a camisinha de lado depois que ambos fizerem teste de anti-HIV. E, para o resultado ser preciso, os testes devem ser feitos depois de 3 meses sem nenhuma situação de risco - leia-se, sem sexo (em todas as suas modalidades) desprotegido. Só assim se pode ter certeza. (Mas ainda não 100%...)
O teste é simples e barato. E pode ser feito pelo SUS, se preferirem. (Informem-se na secretaria de saúde de sua cidade.)
Na minha nem sempre modesta opinião, todo mundo que tem vida sexual minimamente ativa deveria fazer o teste uma vez por ano. As mulheres podem aproveitar a visita anual ao ginecologista para pedir esse exame, junto com os tantos que ele já solicita normalmente. E não, ele não vai achar que você é uma promíscua insaciável se você pedir isso. Vai achar apenas que você é uma pessoa atenta à própria saúde.
Aqui vão alguns links para esclarecimentos médicos sobre o assunto. O primeiro fala sobre todas as outras doenças que também podem ser transmitidas por sexo oral, além da Aids: