"... E se definitivamente a sociedade
só te tem desprezo e horror
E mesmo nas galeras és nocivo,
és um estorvo, és um tumor
A lei fecha o livro, te pregam na cruz
depois chamam os urubus
E se pensas que burlas as normas penais
Insuflas, agitas e gritas demais
A lei logo vai te abraçar infrator
com seus braços de estivador
Se pensas que pensas, estás redondamente enganado..."
E paro nessa frase que, 33 anos depois, infelizmente ainda é tão verdadeira. As declarações de boa parte dos internautas em relação às manifestações no campus da USP nos últimos dias só confirmaram isso.
Pensar , de verdade, com a própria cabeça, é uma coisa. Reproduzir pensamentos alheios, lugares-comuns ou doutrinas é outra. (E tentar reprimir o pensamento alheio com agressões verbais - ou até mesmo físicas - outra.)
Mas o que vimos nesse caso da USP? Um mar de agressões, disparates, desinformação, julgamentos morais, opiniões sem nenhum fundamento, radicalismos de todos os lados, manifestações de ódio, pessoas usando experiências pessoais como se fossem verdades universais... E apenas uma minoria absoluta tentando realmente refletir, de forma construtiva, sobre o assunto e todas as questões relacionadas a ele.
Já deixo claro aqui que na minha opinião, todos acabaram errados nesses conflitos. A reitoria, que deixou a PM entrar no campus em vez de ampliar e capacitar a guarda universitária. A PM, que foi chamada para cuidar da segurança dos alunos, e em vez de se preocupar com assaltos, estupros, assassinatos, perdeu seu tempo prendendo 3 estudantes que enrolavam um baseado que nem pretendiam fumar ali. (Errados? Sim. Mas pela lei hoje, nem chegariam a ser presos por isso. Então, foi pura perda de tempo. Enquanto os PMs estavam ali, detendo-os, algum estudante podia estar sendo morto em outra parte do campus.) E também parte dos manifestantes , que começaram defendendo sua bandeira contrária à PM no campus (concordo plenamente) mas terminaram desrespeitando a votação da assembleia estudantil e invadindo a reitoria. E exibindo comportamentos um tanto contestáveis. E com isso colocando a opinião geral contra seu movimento, inicialmente legítimo.
Mas essa é só a minha opinião. Não espero que todos concordem com ela, não pretendo obrigar ninguém a pensar igual a mim. Porém, gostaria, sim, que todos se dessem ao trabalho de realmente pensar sobre o assunto, antes de se posicionar. E pensar exige abrir os olhos para questões que muitas vezes as pessoas não querem ter de enxergar.
Por exemplo:
Que tal perceber que as coisas não se dividem entre dicotomias simplistas de bem x mal, mocinhos x bandidos... maconheiros x "bons estudantes"?
Que tal entender de uma vez por todas que a maconha não é a questão central desse conflito? Que o protesto dos estudantes não é para "poder fumar seu baseadinho em paz", e sim contra a presença da PM no campus? E que existem motivos bem concretos para isso? (Na carta feita por estudantes da ECA cujo link inseri no final do texto isso é bem esclarecido.)
Que tal refletir sobre o fato de a PM ter mandado 400 soldados, incluindo aí tropa de choque, esquadrão anti-bombas e helicópteros, para lidar com 600 estudantes, enquanto o crime come solto em São Paulo? (E que tal comparar esses números com os 50 policiais envolvidos na última operação policial na Cracolândia? http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/operacao-na-cracolandia-termina-com-dez-detidos-20110408.html)Que tal lembrar que a polícia de São Paulo, que muitos estão defendendo agora, matou mais gente que todas as polícias dos EUA nos últimos anos? (http://www.circulopalmarino.org.br/2011/11/em-cinco-anos-pm-de-sao-paulo-mata-mais-que-todas-as-policias-dos-eua-juntas/)
Que tal saber que havia uma alternativa para a segurança dos estudantes - ampliar e capacitar a própria guarda da universidade -, e que ela não foi adotada porque a reitoria preferiu não ter esse trabalho, ou simplesmente gostou da ideia de ter a PM por perto, podendo assim reprimir manifestações políticas dos estudantes, ou, ou?
Que tal registrar o fato de que o atual reitor da USP não foi o mais votado no processo eleitoral interno? Saber que ele ficou em segundo lugar, bem atrás do primeiro, Glaucius Oliva, mas o então governador Serra ignorou a votação e nomeou o reitor que politicamente mais lhe convinha? (http://noticias.r7.com/vestibular-e-concursos/noticias/usp-eleicao-para-reitor-termina-com-glaucius-oliva-como-candidato-mais-votado-20091111.html)
Que tal aceitar que as pessoas têm direito às próprias escolhas, e que - desde que essas escolhas não impliquem danos a terceiros, como no caso de alguém "escolher" matar seu vizinho - não cabe a ninguém julgar/condenar?
Que tal assimilar que mesmo entre os estudantes que defendem a retirada da PM do campus há divergências e posicionamentos distintos? E que não, nem todos eles são maconheiros.
Que tal antes de falar/escrever um "Maconheiro tem mais é que tomar porrada da PM" lembrar que talvez alguma pessoa querida, do seu círculo familiar ou de amizades, seja usuário e você nem saiba?
Que tal tentar enxergar o todo, e não apenas um único aspecto de uma situação complexa como essa?Que tal entender que o diferente de nós não é necessariamente um inimigo a ser atacado?
Que tal abrir os olhos para o fato de que, independente da sua opinião pessoal sobre maconha, o problema maior para a sociedade não está no usuário, mas sim no tráfico? E que se maconha fosse descriminalizada ele enfraqueceria, e com isso a criminalidade cairia? E que isso só não acontece porque os interesses financeiros em jogo são altos, e tem muita gente graúda, "de fora do morro" envolvida nesses ganhos ilícitos?
Que tal considerar também as fontes que relatam que quando os estudantes já tinham sido retirados da reitoria e estavam sentados do lado de fora, ouviu-se barulho de coisas sendo quebradas dentro do prédio?
Que tal aprender a duvidar do que se vê na mídia, entendendo que há interesses políticos por trás de suas linhas editoriais?
Que tal buscar se aprofundar em um assunto, procurar visões diferentes sobre ele, descobrir fontes confiáveis de informação, analisar todos os dados encontrados e então formar a sua própria opinião sobre o tema, em vez de só repetir, comodamente, o que a maioria (ou os seus pais, ou seus amigos, ou um único artigo que você leu) diz?
Que tal entender que o preconceito, seja ele qual for, é uma característica humana extremamente negativa, e portanto deve ser combatido, e não fomentado? E que o ódio que uma pessoa sente/expressa contra usuários de maconha, ou contra gays, ou negros, ou mulheres, ou nordestinos, ou quem quer que seja, só faz com que ela se torne alguém merecedor de desprezo?
Pensar dá trabalho, sim. Exige muito mais de uma pessoa do que simplesmente escrever qualquer coisa, num rompante, em um site ou rede social. Mas também é libertador. Porque nos torna senhores da nossa própria cabeça, e não meros seguidores de pensamentos alheios.
Beijos,
Deb.
(Ah... e não custa lembrar: COMENTÁRIOS OFENSIVOS NÃO SERÃO PUBLICADOS. (Nem os anônimos.) O espaço é aberto a divergências, sim, mas apenas às expressas com educação. Haters e trolls, nem me dou ao trabalho de ler.)
UPDATE:
LINKS para textos que saíram depois deste, e que podem ajudar quem está disposto a saber todos os lados e opiniões sobre o assunto, a ler algo diferente do que a mídia em geral vem mostrando - para então poder pensar, e tirar as suas próprias conclusões.
Boa matéria da Carta Capital
http://www.cartacapital.com.br/blog/sociedade/ocupacao-patetica-reacao-tenebrosa/
Carta de alguns alunos da ECA, falando sobre todos os lados dessa questão e deixando algumas coisas bem mais claras.
http://mariafro.com.br/wordpress/2011/11/09/jannerson-xavier-esclarecendo-o-caso-usp-pra-quem-ve-de-fora/
41 opiniões sobre o assunto:
HATERS, com um "T" só; é só do que consigo discordar do teu texto.
Mais um excelente artigo,parabéns e nem há o que comentar apenas refletir!
Verossímil
Ops... falha nossa, na pressa de postar logo. Vou lá corrigir. Obrigada. :)
Beijos,
Onça,
Obrigada, moça. A ideia é bem essa... reflexão.
Beijo!
Deb. Antes de mais nada, não sou um Hater. Pode ser que se eu for identificado como tal, você me enquadre e me mande para "el paredón". Não sou, então. Dito isso, passemos ao comentário propriamente dito.
Concordo com você no que diz respeito às más interpretações do fato. Só que elas podem ocorrer para ambos os lados. Infelizmente, vivemos em um mundo cada vez mais subjugado por um maniqueísmo atroz. Fica difícil respirar em um ambiente onde se vende um eterno clima de "ou é preto ou é branco". Corre-se o risco de ser acusado de moralista, só porque você não se declara um libertário total e irrestrito.
Agora, quanto àqueles estudantes, especificamente os envolvidos no movimento revoltoso, os que cometeram depredações, os que pixaram, e tudo mais, há que se levar em conta que são figuras folclóricas e conhecidas em todo meio universitário. Só mudam de endereço, a cantilena antiquada e intolerante continua a mesma desde há muito tempo atrás.
Se seu texto fala sobre pensar, sobre abrir as fronteiras para outras idéias, há que se convir que eles falharam nisso, pois há tempos repetem as mesmas velhas idéias sem renovação.É como ouvir ecos da voz de José Amazonas na corrida presidencial de 1989 dizendo que "precisamos fazer a revolução de 1917 no Brasil". No meu livro, isso é aceitar de bandeja um pensamento pronto, sem questionar nem a realidade social e histórica em que se vive.
No fim eu penso que se deve sempre ter o cuidado de lembrar que os antigos regimes socialistas mandavam gente que não concordava com seus pensamentos para a morte, da mesma maneira (e às vezes até mais alegremente, visto que eram inimigos do estado)que os outros regimes ditatoriais... Só pelo fato de não pensar IGUAL eles.
Espero depois de tudo dito, não ser mandado a um Gulag. Tipo, duplipensar, ecos de Orwell, coisas assim.
Beijo pra você.
Em um regime democrático, em que há o direito a opinião, temos o direito a opinão, inclusive ser contra.
Enquanto a maconha não for descriminalizada, continuará a ser o que é. Como o campus não tem soberania a PM pode sim fazer o que fez.
Ainda que parente e cometendo ilicitos não sou eu que vou lá defendê-lo das punições da lei e da justiça. A justiça determinou. Não cumpriram. Perderam em todas as instâncias. Agiram como mau perdedores. Dentro do regime que vivemos, a PM agiu dentro do que é esperado dela.
E dentro do texto retiro estes dois parágrafos abaixo:
Que tal aprender a duvidar do que se vê na mídia, entendendo que há interesses políticos por trás de suas linhas editoriais?
Que tal buscar se aprofundar em um assunto, procurar visões diferentes sobre ele, descobrir fontes confiáveis de informação, analisar todas os dados encontrados e então formar a sua própria opinião sobre o tema, em vez de só repetir, comodamente, o que a maioria (ou os seus pais, ou seus amigos) diz?
Não há contradição entre eles?
Odemilson
Não, nunca te considerei um hater. Você argumenta, não meramente ataca.
Também contesto o comportamento e as ideias desses estudantes. E volta e meia lembro do que li ainda adolescente sobre prisioneiros políticos do stalinismo que quando voltavam da tortura escreviam "Viva Stalin" na parede da cela com o próprio sangue, se recusando a acreditar que ele mesmo os havia colocado ali. Isso também é não querer pensar. Todos os lados são sujeitos a isso.
Mas concordo, sim com os estudantes, no posicionamento contra a PM na USP. E com certeza não faço isso para poder ter um lugar para fumar maconha...
Beijo,
Adão
Acho que você não leu direito a parte em que falo do meu posicionamento sobre os conflitos...
Contradição? Não, não acho. Por isso falo em buscar "fontes confiáveis". Várias. E não apenas ler uma matéria em um único jornal ou revista e aceitar o que é dito lá como verdade.
Beijo,
Deb,
É sempre bom lembrar as pessoas de pensar, ser razoáveis, considerar mais pontos-de-vista além daquele que mais lhe apraz, pensar em idéias menos óbvias, pensar que a solução às vezes é contra-intuitiva... é muito bom lembrar as pessoas disso. Mas simplesmente não é o caso.
Todo mundo na USP já tá cansado desses caras. Passei todos os meus anos de faculdade tentando ler os jornais deles, participar das reuniões, entender o porquê das idéias e métodos que eles empregam... é impossível. Cansei. Não dá mais. Na minha época a gente até ficava quieto, deixava eles fazerem o barulho deles. Mas todo mundo cansou. Por isso as demonstrações de ódio que você vê nas redes sociais e jornais. Não é ódio gratuito, preconceito. É a insatisfação acumulada de anos e anos de greves, invasões e protestos que nunca resolveram nada e dos quais já estamos cansados. Os manifestantes falam em repressão, ditadura e desrespeito à democracia. Pois essas 3 palavras são justamente o que descreve esses manifestantes, no momento em que eles não respeitam a vontade da esmagadora maioria da USP. Não respeitam a vontade da sociedade, que está indignada de pagar impostos para financiar uma universidade que os estudantes depredam e paralisam.
Alguns fatos:
A abordagem dos meninos pela PM foi usada como pretexto dos grupos radicais para tentar passar a imagem de que eles são coitadinhos reprimidos e que sofrem com o abuso de poder. É de um oportunismo mentiroso sem tamanho. Os PMs abordaram os meninos como abordariam qualquer outro na rua Augusta ou qualquer bar por aí.
Os estudantes radicais e grevistas já perderam legitimidade há muito tempo. Não foi agora com essa invasão. Eles já têm muuuuuito mais coisa no currículo, invasões, depredações, pichações, greves, piquetes impedindo funcionários e alunos contra a greve de entrarem nos edifícios (sim, impuseram greve à maioria que não queria greve), agressões morais e calúnias dirigidas a professores e alunos que ousaram defender seu direito de ter aula e trabalhar. Há muito se sabe que a maioria da USP é contra os movimentos. Há muito tempo repudiamos suas idéias radicais e seus métodos controversos.
Não há ninguém na universidade mais indisposto ao diálogo do que esses grupos. Eles simplesmente não vão parar de reclamar até que todos concordem com eles e digam que eles são heróis... Eles são especializados em reclamar. Propor alternativas viáveis? Criar veículos de comunicação imparcial, por meio dos quais eles poderiam explicar suas posições fazendo uso legítimo da razão e da lógica argumentativa? Nada. Fazem uso de frases de efeito, apelam para discurso emocionalmente carregado, com pouquíssimo conteúdo argumentativo. Ai de quem discordar deles. São chamados de burgueses, vaiados, até agredidos.
Essas pessoas falam em liberdade de pensamento, mas a idéia que eles têm dessa liberdade envolve a situação utópica em que todo mundo concorda com eles. Eles podem sim pensar o que quiserem, eles são livres para isso. Só não espere que eu concorde. Mais importante, não tente impor que eu concorde. Não espere que a sociedade concorde. E agora todo mundo sabe que a sociedade não concorda.
Nesse contexto, esses grupos querem a PM fora do campus para que eles possam seguir azucrinando a vida na universidade como eles bem entendem, sem arcar com as conseqüências disso. Sem que a desaprovação da maioria na universidade os impeça.
É isso. É muito fácil falar que é ignorância e pequenez de pensamento ser contra os movimentos na USP. Não tão fácil é perceber que nós também temos nossas reivindicações e nossos fundamentos para tal. E afinal, espera aí: em que momento invadir e depredar um prédio público é uma ignorância menor do que criticar tal ato? A ponto do ato de criticar a invasão merecer um post contrário e a depredação em si não?
Felipe
Li sim Deb. Não farei do espaço ao comentário, um fórum de debate! Beijos! Amanhã, já espero as noticias da truculência da PM, das agressões, etc e tal!
Felipe
SEMPRE é o caso de pensar. SEMPRE é o caso de tentar ser razoável. Até porque , se não você estaria se igualando ao comportamento que condena nesses estudantes.
Como parece que você pulou essa parte, eu disse, contestando o comportamento dos estudantes: "E também os manifestantes - boa parte deles - que começaram defendendo sua bandeira contrária à PM no campus (concordo plenamente) mas terminaram desrespeitando a votação da assembleia estudantil e invadindo a reitoria. E depredando patrimônio público. E exibindo comportamentos no mínimo contestáveis. E com isso colocando a opinião geral contra seu movimento, inicialmente legítimo." "
E quanto você diz: "Mais importante, não tente impor que eu concorde. " ... Parece que você também não leu o que eu escrevi ali em cima: "Mas essa é só a minha opinião. Não espero que todos concordem com ela, não pretendo obrigar ninguém a pensar igual a mim."
Mas parece que você já chegou aqui com um discurso pronto... e nem se deu ao trabalho de ler o texto com atenção antes de disparar...
Mas como assim o Serra desconsiderou o resultado da eleição??? Que loucura! Não sabia disso.
Olhe, o comportamento desses estudantes colocou, com você fala, boa parte da opinião pública contra eles. Mas concordo com você no que diz respeito à presença da PM no campus. Essa história toda só mostrou que é melhor que eles não entrem.
Bjs.
Marina
Pois é... essa é a "democracia" em que vivemos.
Defender os estudantes que depredam patrimônio público é tão impossível quanto defender a truculência da PM. Por isso que digo que todos acabaram errados...
Então... PM, tropa de choque, esquadrão anti-bombas... coisa de maluco.
Por essas e outras, continuo defendendo a ampliação e capacitação da guarda universitárias. E nada de PM, em campus nenhum.
Beijos,
Deb,
Eu não estou atacando o seu texto além da última parte em que disse que a invasão é mais grave do que as demonstrações de repúdio a ela.
Eu não pulei a parte que você disse que eu pulei, mas foi justamente dela que eu parti para dizer que o movimento perdeu legitimidade há muito tempo. Não foi uma infração menor que aconteceu apenas agora. É um processo que já vem faz tempo.
Quando eu digo não imponha que eu concorde, estou me referindo aos estudantes e seus métodos, não a você.
E sim, sempre é preciso pensar e ser razoável. Mas os mais irracionais dessa história toda são os invasores da reitoria, e são eles que devem ser atacados por sua falta de respeito. Não os caras que postam piadas no facebook e comentários inflamados nos jornais.
Felipe
Felipe
Os radicais dentre os invasores, depredando patrimônio e desconsiderando a decisão da assembleia, estão tão errados e são tão irracionais quanto as pessoas que saem por aí dizendo "Esses estudantes (ou maconheiros) tem é que apanhar muito da PM". NINGUÉM tem o direito de atacar verbal ou fisicamente outras pessoas só porque as suas opiniões são divergentes.
Ah sim.... mas aí acho que é uma questão de boas maneiras... não de viseiras, do não querer enxergar, do pensamento pequeno...
Felipe
Felipe
Você está contradizendo o seu "e são eles que devem ser atacados por sua falta de respeito"...
E sim, faz parte. Entra no que falei de "Que tal entender que o diferente de nós não é necessariamente um inimigo a ser atacado?
Que tal aceitar que as pessoas têm direito às próprias escolhas, e que - desde que essas escolhas não impliquem danos a terceiros, como no caso de alguém "escolher" matar seu vizinho - não cabe a ninguém julgar/condenar?"
E agora já chega, né moço? Não vou ficar aqui te respondendo a noite toda. Você falou, eu publiquei, respondi... Mas já vi que você definitivamente não está disposto a abrir o pensamento, e ver que há vários lados nessa história, e não apenas "estudantes errados a serem atacados". Sendo assim, não vou mais perder meu tempo aqui argumentando.
Deb
Argumentar com gente que já chega aqui falando um monte e dizendo "esses grupos querem a PM fora do campus para que eles possam seguir azucrinando" nao vale a pena.
Parabéns pelo texto. No meio de tantos absurdos que li essa semana, um pouco de reflexão, uma visão mais sensata. Alívio.
Carlos
Carlos
Pois é... tô achando mesmo.
Obrigada, moço. Também me sinto aliviada de ver que alguém entendeu do que eu queria falar, o que me motivou a escrever esse texto. Também fiquei chocada com a avalanche de haters e escrotidões que li na net nesses últimos dias.
Beijos,
Arrasou, Debinha! É isso aí! Já tô de saco cheio de tanta gente que só fica repetindo as mesmas coisas, de tanto ler maconheiro isso, maconheiro aquilo. Quem fala é tudo santinho, né?
Viu a reportagem da Veja? É PODRE. Aí povo lê, acha que se a Veja falou é pq é verdade. E nem vai tentar ler outras coisas, procurar outras opiniões antes de sair descendo o cacete nos manifestantes.
Tb acho que eles passaram total do ponto, mas entendo os motivos iniciais deles. PM no campus da nisso que deu. Meleca.
Beijinho!
Petra
Pois é... um mundo dividido em santos e demônios. Os demônios, é claro, são sempre os outros.
Infelizmente vi sim. De revirar o estômago. O que já foi uma revista séria virou imprensa marrom. (Mas não é de hoje que a Veja vem descambando no nível, né?) Lamentável.
Beijos,
Certo, acho errado ter Pms pela faculdade, mais não acho que os PMs estão errados em abordar os alunos que estavam se drogando, o usuário alimenta toda a violência e horror associado as drogas, nesse caso, já que mandaram os caras lá, tinham que se meter sim, ( minha opinião)
Claro q eu sei q a enorme maioria dos estudantes não tem nada haver com o vandalismo e a violência que alguns promoveram invadindo a reitoria, claro que acho que o reitor é um safado ( que como vc mostrou nem foi o cara em quem eles votaram). Acho absurdo que a maior parte das pessoas tratem os alunos pacíficos que apenas estavam discutindo sobre não quer os PMs no Campus como bandidos, mais os que efetivamente fizeram isso ( o grupinho que não liga pros outros alunos e age com violência anteriormente citado)devem sim, ser julgado por seus atos!
Como vc falou nào dá pra defende-los!!
Mai devem ser julgados , com nossa lei, isso tbm nào autoriza que os policiais barbarizem com os alunos, enfim, separem os que estavam apenas argumentando dos acéfalos que resolveram barbarizar!
Acho muito importante que se reflita antes de qualquer opinião, pra ter certeza de que a opinião é sua!
Lú
Bem equilibrado o texto. Parabéns!!
Quando a gente vê tantas pessoas aplaudindo a barbaridade que foi sitiarem a cidade universitária, do jeito que fizeram, fica complicado demais se pensar como humano...
Eu tenho memória fraca, alguém pode me lembrar sobre a questão da lei se portar maconha é considerado crime?
Pelo o que eu li, os meninos já estavam fumando quando o policial foi levá-los para a delegacia para assinar um termo circunstancial, tentando fazer isso na paz.
Lú
Goste muito do teu comentário, moça. Falou de vários lados da questão, com a sua opinião sobre cada um... consciência dos fatores envolvidos, sem disparar um julgamento geral sobre tudo... :)
E acho que as nossas conclusões finais não foram tão diferentes... Ambas achamos que todo mundo errou...rsss
Beijos!
Rosana
Obrigada, moça. :)
Olha... acho que quem aplaude uma coisa daquelas, tropa de choque, esquadrão anti-bombas, 400 policiais, helicópteros, PM apontando arma pra estudante... só merece o nosso desprezo. Porque de duas uma: ou é um hater acéfalo, ou alguém de extrema direita. Quero distância de ambos.
Beijos,
Aleatório
Então... Apesar de aparentemente o seu comentário ser de intenção irônica, te respondo.
A lei para o usuário de maconha prevê que ele não será preso por porte ou por estar fumando na rua. O juiz determinará ou uma punição alternativa, como prestação de serviços comunitários ou simplesmente ter de frequentar um curso sobre os malefícios das drogas, ou nenhuma punição, de acordo com seu bom-senso. E só. Sendo assim, é considerado um crime menor que assalto, que dirá estupro ou assassinato, que poderiam estar acontecendo no campus naquela hora, enquanto os policiais estavam ali.
Mais importante: a PM foi chamada ao campus para cuidar da SEGURANÇA dos estudantes. O colega fumando maconha não está ameaçando a segurança deles. O fulano assaltante, o cicrano estuprador ou o beltrano traficante, sim. Há uma grande diferença.
Então... por isso que falo em buscar várias fontes. Não, eles não estavam fumando quando foram detidos. O depoimento que dois deles deram depois de sair da delegacia deixou isso bem claro. Mas para a imprensa era mais conveniente insistir em que eles estavam fumando ali. E o povo acredita...
Deb, eu não sei como ainda me impressiono com você. Concordo sim, não pela maneira brilhante como foi colocada, mas por simplesmente compartilhar dos mesmos ideais (nesse caso) . Também fui contra a ocupação da reitoria. O texto que te mandei foi escrito antes da expulsão deles. Meu irmão votou a favor, e foi contra por um simples motivo: porque o "sim" à ocupação foi derrotado nas eleições. Por outro lado, ainda que discorde do modo da manifestação, acho que a luta em sí é legítima: assim como foi legítima no dia 27 quando deu o problema com a maconha.
Meus parabéns pelo texto,
Du
Du
Também acho que a luta é legítima. Sou contra a PM no campus, pelos motivos vistos. E pelos que a imprensa não mostrou, como bomba de gás lacrimogênio na moradia estudantil, onde a PM diz que não houve nenhuma ação...
A coisa toda está podre demais...
Você viu isso aqui? Fala sobre como em cinco anos a polícia do estado de São Paulo matou mais do que a polícia dos Estados Unidos inteira. E é essa polícia que o povo fica defendendo...
http://www.circulopalmarino.org.br/2011/11/em-cinco-anos-pm-de-sao-paulo-mata-mais-que-todas-as-policias-dos-eua-juntas/
Beijos,
Deb, como sempre falou tudo... e como diria a Roberta Carvalho do HTP, o mundo é estranho... e a cada dia mais... Beijos querida.
que sono disso tudo... o resumo da opera e' que NUNCA a PM (alias, so' a existencia de uma PM, ainda, em um pais como o nosso ja' e' de se desconfiar) pode agir dessa forma - NEM com bandido. O uso de forca e' ultimo recurso. E desculpem, o motivo esta' longe de ser maconha - quem ainda acredita nesse argumento precisa se informar, muito. Tenha sua opiniao, claro. Mas se voce opta por ignorancia (no sentido de ignorar fatos), voce nao pode sequer comecar a reivindicar uma opiniao - voce nao tem esse privilegio.
Anaís
E bota estranho nisso. Até um pouco assustador... e muito decepcionante.
Mas nos últimos dois dias saíram vários textos bem mais inteligentes sobre o assunto, com abordagens e posicionamentos vários. Amém. :)
Beijos, sumida!
Mauro
Olha, a coisa ficou feia por aqui. E ao mesmo tempo que tenho uma preguiça enorme dessas pessoas que você comentou, que leem uma manchete ou batem o olho em um texto e saem por aí repetindo, me deu também um desânimo... uma desesperança, sabe? Aí, em vez de entregar os pontos, acabei achando que seria mais produtivo escrever. Mesmo que a maioria não vá dar a mínima e insistir em sua cabeça fechada, em não ver todos os lados da coisa, quem sabe para alguém, uma pessoa que seja, a ficha cai.
Pois é, é ridículo ver como as pessoas não passam do discurso maconha isso, maconheiro aquilo. É realmente não querer enxergar. Andar pela vida com tampão nos olhos, como cavalo atrelado em carroça.
Beijo,
Oi Deb,
Depois de ler seu texto, eu tenho uma série de perguntas:
Democracia? Brasil? Aonde? Me mostra?
Realmente eu não sabia que por trás das manchetes tendenciosas "maconheiros são presos pela PM fumando na USP" existiam coisas como eleições fraudadas, repressão de revoltas do corpo discente, afloramento de ódio reprimido, entre outras.
Para se livrar de preconceitos é preciso discernimento, pena que muitas pessoas, por preguiça ou por outra coisa, preferem tudo mastigado na boquinha e adotam o jornal x ou a revista y como um pilar inabalável da verdade.
Parabéns Deb, seu texto está incrível, muito obrigado!
kk, que bom q gostou acho q só divergimos quanto os alunos usando maconha, acho que devem ser abordados e punidos sim, ou isso ou libera de vez, deixar o trafico se financiando já deu.....
mais de resto concordo com vc, todo mundo errado nessa coisa ai...
Lú
Cristiano
Pois é... a coisa é ampla, cheia de desdobramentos. Mas a mídia opta por mostrar só um aspecto: o sensacionalista, o julgador, o "fácil", o que lhe convém. E as pessoas vão acreditando... É triste.
Muito obrigada, moço.
Beijo,
Democracia? É, por aqui ela anda bem falha.
Lú
Então... o problema maior no caso é que eles não estavam nem fumando... Mas gostei do seu comentário porque você soube enxergar o tudo por trás, coisa que a maioria tem optado por não ver.
Eu acho que tem de descriminalizar de vez a maconha sim. E acabar com a força absurda que os traficantes - e toda a estrutura que lhes dá suporte, incluindo aí policiais e políticos corruptos - ganharam neste país. Chega de tantas mortes, chega de crianças de 10 anos trabalhando para o tráfico, chega de população dos morros à mercê da vontade de traficantes.
As operações policiais, como a que está acontecendo agora na Rocinha, ajudam sim, mas só "apagam incêndio", maquilam... Prenderam o Nem ontem... ótimo! Mas se as coisas não forem vistas mais a fundo, daqui um mês já terá outro no lugar dele, e tudo seguirá como sempre. É uma guerra perdida... E repleta de mortes de pessoas inocentes.
Beijos,
""Mas os mais irracionais dessa história toda são os invasores da reitoria, e são eles que devem ser atacados por sua falta de respeito.""
Tive ânsia de vômito quando li isso. É assombroso perceber como um nazista poderia dizer o mesmo.
As leis (ou para ser bem específico o Estatuto da USP, feito na ditadura) não existem para ser respeitadas cegamente. É preciso preservar um bem maior. Se um tirano assumisse o governo do país, a responsabilidade do cidadão seria derrubá-lo, e não respeitá-lo, porque não pode haver democracia partindo da autocracia. É exatamente isto que está acontecendo na USP.
1. Rodas não foi eleito democraticamente, mas Serra usou um dispositivo criado na ditadura para colocar um sujeito alinhado a ele (a única vez que este recurso foi utilizado foi pelas mãos de Maluf, durante a ditadura). Portanto, é ridículo que Alckmin venha falar de aula de democracia;
2. Iniciou-se um processo viciado. Sem contar que a livre manifestação de ideias no campus já vinha sendo reprimida (veja-se a violência da PM durante o protesto contra Suely, que usou o mesmo estatuto, que proibe manifestações!);
3. Rodas tem sido incansável em perseguir e tenta expulsar seus adversários da USP, sempre utilizando o famigerado Estatuto; Está envolvido também em uma série de denúncias, que não são investigadas;
4. O conselho universitário da USP tem apenas 1, eu disse UM, representante dos professores doutores, entre 100 membros. A USP é mais um cabide do governo de SP, agindo tiranamente;
5. É absolutamente irrelevante se o sujeito gosta ou não de tal ou qual estudante; pode-se até questionar seus métodos, mas jamais o direito deles de se manifestar. Eles estão sendo reprimidos pelo Rodas, que não abre diálogo algum, e portanto este é um gesto de desespero;
6. O prédio não foi 'depredado', é favor se informar;
7. A PM não está no campus para fazer segurança, até porque a guarda universitária tem essa função. Ela está no campus para reprimir a FFLCH (que, diga-se, é responsável por 6 dos 9 cursos que fazem a USP ser a melhor universidade latino-americana, portanto, respeito é bom) que tem se manifestado contra Rodas. Veja se a polícia está fazendo teste de bafômetro na frente da ECA, ou na Poli, depois das festas que rolam lá! Não. O objetivo é constranger os estudantes e impedir o livre debate de ideias;
8. A inconfidência na USP não resulta, portanto, da vontade de um punhado de estudantes. Ela é um problema grave, mas infelizmente sabemos que a maioria silenciosa (a mesma que se calou na ditadura, porque tava 'por cima') ainda insiste em legimitar a autocracia desde que seus privilégios permaneçam os mesmos;
9. Se não fosse por um estatuto ditatorial; por uma atitude não democrática e que não respeita o espírito universitário; pelo uso da PM como força represiva; e pela total ausência do diálogo (por parte da reitoria) no templo do livre confronto de ideais, talvez os estudantes não tentassem medidas tão desesperadas.
Um beijo, Deb!
Saturnino Lyra
Saturnino
Depois das suas explicações, nem tenho muito o que acrescentar. :) Só agradeço os esclarecimentos que você deu a todos, e espero que eles sejam lidos... e assimilados.
Beijo grande,
Ótima postagem, a educação tem que ser tratada no campo da ideías e não com repressão.
bjs
Obrigada, moço. E também acho...
Beijo,
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Deb.